segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mãe de Thales diz que seu filho teve medo....

Meu filho teve medo, diz mãe de promotor

Eurydice Schoedl pede que família de Diego Modanez, morto em luau, perdoe seu filho e diz que ele agiu em legítima defesa

Professora critica imprensa, procurador-geral de SP e declarações de Felipe Cunha de Souza, baleado na época, e da família de Diego


Eurydice Schoedl, para quem o filho, Thales, agiu em legítima defesa

DANIEL BERGAMASCODA

REPORTAGEM LOCAL

Mãe do promotor Thales Schoedl, que alega legítima defesa para ter matado o atleta Diego Modanez na Riviera de São Lourenço, em 2004, a professora Eurydice Schoedl, 53, segura firme a mão do repórter. "Faça essa matéria com carinho. Já disseram muitas coisas erradas a respeito do Thales."

Seus olhos estão marejados. Ela havia acabado de dar a entrevista à Folha, na qual criticou a imprensa, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, e declarações de familiares de Diego e de Felipe Siqueira Cunha de Souza, que também foi baleado na ocasião, mas sobreviveu.

Eurydice, que também é mãe de um médico e de uma psicóloga, diz que Felipe "deve ter uma culpa muito grande dentro dele, de saber que foi ele que começou a briga e que o amigo poderia estar vivo".

FOLHA - Como avalia a repercussão do caso?

EURYDICE SCHOEDL - O Thales agiu em legítima defesa. Vejo coisas distorcidas na imprensa, informações que não correspondem ao que está nos autos. Nada vai trazer o filho [Diego] da dona Sônia de volta. Mas existe Justiça. No TJ [no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, onde promotores são julgados] também existe Justiça, não é só no júri popular. Não concordo com a postura do procurador-geral [Rodrigo Pinho].

FOLHA - Qual sua crítica ao procurador?

EURYDICE - O procurador-geral disse claramente que não quer meu filho lá [no Ministério Público]. Ele não poderia ter ido a esse órgão [o Conselho Nacional do Ministério Público, que suspendeu temporariamente decisão de procuradores de São Paulo para efetivar Thales no cargo], deveria ter acatado a decisão estadual. A sociedade, a mídia, o doutor Pinho, todos pré-condenaram o Thales, desde o começo.

FOLHA - Como seu filho tem lidado com isso?
EURYDICE - Ele tem tido uma força muito grande. Fez pós-graduação [de direito penal no Mackenzie, iniciada após o crime]. Ontem, ficou estudando o caso dele, vendo se o conselho poderia ter tomado essa decisão. Ele sabe que é inocente, que guardou a arma duas vezes, que se defendeu. Ele fica triste. Na televisão, o pai do Diego, na emoção, falou muitas coisas usando as palavras erradas.
FOLHA - Como assim?
EURYDICE - Peço a Deus que ilumine o Diego onde ele estiver, para que tire essa revolta do coração do pai dele, que isso não faz bem a ninguém. Quem começou tudo não foi o Thales, foi o Felipe, que está com uma bala alojada no fígado, deve ser muito difícil. Mas as acusações... Tem palavras erradas. Existe alguma coisa muito forte dentro do Wilson [pai de Felipe] para ele querer incriminar tanto o Thales. Ele [Felipe] deve ter uma culpa muito grande dentro dele, de saber que foi ele que começou a briga e que o amigo poderia estar vivo.

FOLHA - Thales errou ao ir armado ao luau em Bertioga?
EURYDICE - De jeito nenhum. Meu filho tem porte de arma. Ele foi ameaçado depois de um júri em Diadema e, por isso, fez o curso, andava com arma. O porte de arma não restringe o lugar, se é na praia... Ele avisou aos homens que era promotor, deu tiro de advertência. Ele correu, fez de tudo.

FOLHA - Era preciso tantos tiros [12, dos quais 7 acertaram as vítimas]?
EURYDICE - Na hora, a pessoa não sabe como reagir. O Thales estava com medo.

FOLHA - A senhora já esteve frente a frente com a mãe de Diego?
EURYDICE - Não.

FOLHA - Se estivesse, o que diria?
EURYDICE - Diria que a gente tem de perdoar. Peço perdão e peço que ela perdoe meu filho. Que não haja mágoa, vingança.

FOLHA - Como o crime afetou sua vida?
EURYDICE - Mudou tudo. Chego à escola [da rede municipal], vejo o jornal para me preparar para os comentários. Outro dia, um aluno disse que me viu em um programa de "descarrego" da Record. Fomos massacrados na mídia.

FOLHA - Seu filho terá condições de ser promotor apesar desse caso?
EURYDICE - Mas é claro! Ele tem muita vocação. Meu filho fez 33 júris em um ano e meio! É muita coisa. Era enviado para júris perigosos, em Itapevi, Diadema. Era um promotor muito envolvido. Se ele for inocentado, qual o problema? Tem o mesmo direito que todos.

FOLHA - A senhora teme a possibilidade de júri popular?
EURYDICE - No júri popular, a emoção das pessoas está em jogo. Essa família [de Diego] pode emocionar, ir vestida com camisetas. Mas acho que, no caso de júri popular em Bertioga, as pessoas de lá estão cansadas dessas pessoas que vêm do interior e vão lá fazer confusão.

São Paulo, quarta-feira, 05 de setembro de 2007

Nenhum comentário: